em.pa.nar1
(em2+pano+ar2) vtd 1 Cobrir de panos: "Empanar uma janela" (Franc. Fernandes). vtd 2 Ocultar, esconder, obscurecer: Nuvens escuras empanam o Sol. As paixões empanam o bom senso. vtd 3 Tirar o brilho a; embaciar, ofuscar: A úmida cerração empanava o pára-brisas. vpr 4 Perder o brilho; embaciar-se, ofuscar-se: "Ia-se-lhe empanando o brilho dos olhos" (Visc. de Taunay). vtd 5 Privar do brilho; deslustrar, macular: A intransigência doutrinária empanou o notável sermão. vpr 6 Perder o brilho; deslustrar-se: "A honra que está a pique de empanar-se" (Latino Coelho). vtd 7 Impedir: Alto muro empana a vista dos indiscretos.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Que pode, pergunto, o ser amoroso...
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o amar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o amar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
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