sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Adorável canalha! por Fabrício Carpinejar




É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: "CANALHA!"


Ser chamado de "canalha" por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo. Os lábios da palavra são carnudos. Vontade de morder com os ouvidos. Aproximar-se da porta e apanhar a respiração do quarto pela fechadura.

Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa. Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo. Não o canalha canalha, mas o ca-na-lha, sem repetição. Único. Irrepetível. Não o canalha que deixa a mulher, o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo.

O canalha. Como um elogio. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do "sem-vergonha".

Bem diferente de crápula, que não é sensual e define o mau-caratismo indelével, ou do cafajeste, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora.

Eu me arrepio ao escutar canalha. Um canalha que significa o contrário do dicionário. Nem perca tempo consultando o Aurélio e o Houaiss, que não incluem o sentimento da pronúncia. Estou falando do canalha que suscita aproximação, abraço, desejo. Um canalha que é um pedido de casamento entre as vogais.

É pelas expressões que se define a segurança masculina. Sempre duvidei de homem que diz que vai fazer xixi. Xixi é coisa de criança. Eu não represo a gargalhada quando um amigo adulto e de vida feita comenta que vai fazer xixi. Imagino o cara sentado. Infantil, como Ivo viu a uva. Já urinar é muito laboratorial. Prefiro mijar, direto, rápido e verdadeiro. As árvores mijam. Os relâmpagos mijam. Os cachorros mijam para demarcar seu território. Aliás, o correto é não anunciar, ir ao banheiro apenas, para evitar constrangimentos vocabulares.

Canalha funciona como uma agressão íntima. Uma agressão afetuosa. Uma provocação. Não se está concluindo, é uma pergunta. Canalha é uma interrogação gostosa.

Não ficarei triste se esquecer meu nome, chame-me de canalha.

sábado, 12 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

serááá?

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

Hilda Hirst

simplesmente as rosas exalam


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

meu urso Caramelo


O Caramelo resolveu chorar, de repente, do nada. Olhei sem querer e havia uma lágrima, prestes a cair. Achei muito estranho, pois em todos esses anos; e já haviam se passado quase 13, ele nunca havia manifestado alguma característica depressiva, na verdade quase nenhuma reação, a não ser a parceria que o era requisitada. Pois justamente naquela noite, o Caramelo se expressou profundamente magoado, deprê.
Nesta despretensa madrugada de quinta feira, embora o outono estivesse se anunciando, as coisas iam melhor do que o esperado e no entanto, o Caramelo além de chorar, estava manifestando tristeza. É engraçado, porque o Caramelo é um ursinho clássico, pequenino, naquele formato: eu enfeito sua prateleira, durmo com você e sou o preferido das menininhas durante as viagens. Eu não entendi muito bem, por qual motivo uma representação material estava se manifestando assim, tão humana, tão sensível... mas de fato estava, tanto que fez questão de dormir comigo naquela noite.Suspeitei que fosse a chegada do Magu, meu gato siamês, mas depois cheguei a conclusão de que as peças não se encaixavam. Afinal de contas, o Magu é um ser vivo, e o Caramelo em sã consciência de pelúcia, nem poderia se comparar a ele. Mas porque então aquela lágrima caiu do olho do Caramelo? Será que eu tinha alucinado? Sei lá né, as vezes a cuca dá umas falhadas,... Mas a real é que nesse caso não. Eu tinha certeza, meu urso estava deprimido, e sim, eu vi a lágrima caindo. Uma única, repleta de si, louca, surreal, triste e insensata lágrima questionável, rolou naquela face de pelúcia. Mas o lance é; qual motivo leva um bicho de pelúcia a chorar? Bom queridos, não teria eu aqui, a pretensão de desvendar tal mistério, nem ao menos relatar melhor tal ocasião. Simplesmente, foi assim. Só sei que foi assim. O caramelo chorou.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

+ uma breve ao amigo que partiu dessa...

Sonhei com meu amigo Pinheiro.
Eu estava numa calçada iluminada e bastante arborizada, e ele vinha caminhando.
Quando o vi me indignei ! E disse mais ou menos o seguinte:
-Pinheiro ?! que que é isso ? mentiram pra mim que tu tinha morrido ! não é possivel, tu esta vivo ! e tudo que eu chorei ? a Vânia estava de brincadeira comigo ? todos eles mentiram ???

tu está vivo !!!

E o meu grande amigo Pinheiro, respondeu com aquele jeitao, bem Pinheiro de ser :
-Não gatinha, não da bola pra eles, nao eh nada disso... eu estou aqui. Fica tranquila, vou indo e depois a gente se vê .

Ele atravessou a rua, e seguiu caminhando como alguém que ia resolver algumas coisas e já voltava. E eu, com uma sensaçao de alívio e indignação por estar sofrendo um pseudo luto, segui na calçada, pensando a respeito e achando que ele estava meio branco de mais.

O sonho foi real, real demais. E é mais ou menos assim que tenho me sentido com relação a morte do meu amigo. Tenho um luto guardado dentro do meu peito. Ele nao pode ser vivido intensamente porque, eu não fui no velório, eu nao vi o caixão, eu nao estive no enterro.
Eu nao estou vendo meus amigos sofrerem, nem a nevoa triste que paira em Porto Alegre. Nao posso abraçar as pessoas que eu amo e que sei, estão sofrendo muito. Nao estou presenciando o vazio desconsolado dos botecos do centro. Nao consigo, ficar de luto, a França me impede, ele estaria de acordo. E quando de repente, me invade uma dor no peito começo a chorar e me lembrar do Pinheiro vivo, sei que na verdade, a memória deste homem não me permite continuar sofrendo. Ele estava super feliz com a minha viagem, e eu muito sei o que ele gostaria que eu fizesse aqui. Por isso, na noite da morte do meu querido, eu bebi todos os wiskys de Saint Malo e dancei, dancei, dancei e a boate parou para me ver dançar, porque eu fiz todos saberem que eu dançava em homenagem a alguém que me disseram ter morrido mas que para mim, não se foi . Nao se foi, porque o que o Pinheiro deixou em mim foi intensidade, foi sublimaçao, foi grandeza, foi vida, é vida.

O destino me traçou uma armadilha. No inicio de uma viagem, tao importante na minha vida, eu perdi alguém que muito me fez, crescer, transcender e viajar, sem sair de Porto Alegre.
Obrigada Pinus, pela coragem, pela irreverência, pela inteligência e principalmente pela sabedoria, dom de poucos. Obrigada Pinus, por ter cuidado de mim, do Claudio, da Vania e de tantos outros que eu nem conheci. Obrigada pelas noites valiosamente agradáveis ao som de um trágico tango (por una cabeça) . Meu amigo louco por corrida de cavalos, louco pelo seu netinho, louco pelos seus amores, pelo sitio nas margens do rio taquari, pela literatura. Obrigada por ter sido tão louco pelas coisas que gostava, e ainda assim ter dado tanto carinho e atenção as relações com os amigos . Eu que sigo em vida, vou me livrar da dor de te perder e continuarei desfrutando e gozando intensamente os instanstes, em tua plena homenagem .
Forte Abraço, da amiga
Camila Ali

13 mai 2009

de volta ao planeta dos macacos

quinta-feira, 4 de junho de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Zero grau

agio com acento

moeda
sf (lat moneta) 1 Peça, geralmente de metal, cunhada por autoridade soberana e representativa do valor dos objetos que por ela se trocam; dinheiro. 2 Estabelecimento oficial onde se fabrica moeda. 3 Tudo a que moral ou intelectualmente se liga algum valor. M. corrente: a que tem curso legal no país. M. cortada: moeda sem serrilha. M. de cálculo ou m. imaginária: a que não tem existência real. M. de lei: a que tem o toque e o peso prescritos por lei. M. de ouro: a que tem curso universalmente aceito, em virtude de sua superioridade sobre as demais existentes. M. divisionária: moeda que representa fração da moeda principal. M. escritural: cheque bancário, cheque postal, ordem de pagamento. M. falida: a que perdeu com o uso parte do peso prescrito por lei. M. falsa: dinheiro cunhado ou falsificado por particulares. M. fiduciária1, Econ: papel-moeda parcialmente lastreado por ouro. Sua origem remonta aos depósitos em ouro efetuados junto aos ourives, os precursores dos bancos. M. fiduciária2: a que é representada por bilhetes ou notas de bancos ou estabelecimentos de crédito. M. forte: a que tem valor nominal igual ou quase igual ao valor intrínseco. M. fraca: a que tem valor intrínseco menor que o valor nominal. M. imaginária: o mesmo que moeda de cálculo. M. podre, Econ: moeda sem liquidez, usada apenas para operações bancárias. M. sonante: dinheiro ou metal amoedado. Pagar na mesma moeda: retribuir de igual modo; dar bem por bem e mal por mal.

quarta-feira, 11 de março de 2009