Acordei com o Vicente ‘falando’ ao telefone, como um bom troglodita, gritando praticamente, exacerbando seus instintos mais egoicos ou primitivamente mais emocionais. Meu irmão Vicente, árabe cavernoso, que amo.
O fato que eh que eu ja havia acordado de mau humor ao meio dia e dormido novamente, como espécie de fuga comprovada pelo meu psiquiatra.
Acordei pela segunda vez, no mesmo dia, com o mau humor do cão. Vicente percebeu, pois acusou o golpe. Mas na verdade, se o Vi não falasse tão alto ao telefone, eu perderia a reunião com meu amigo Vladimir Ungaretti, que estava marcada para as 15h na Blangerie. Obrigada então, Vicente! E desculpa qualquer coisa.
Jah chegando, passo a ultima edição do jornal Extra Classe ao Ungaretti, pois eh muito bom presenciar não publica, mas publicadamente, graças ao jornalismo de César Fraga e sua ‘turma’ que a casa caiu para os fdp dos Beckers.
E mesmo com o jornal em mãos, Ungaretti não perdia tempo em sublimar, em deixar claro sua curticao pela fotografia, pelas nossas loucuras verborrágicas, pela sua, nossa, ânsia de estar vivo, pela vida em si, historia, cultura!
E eu inicialmente afim de matar um leão, fui relaxando ao passar do tempo, ao passar de horas que valiosamente pareciam minutos inocentes. Sem cachaça, sem cigarro, quase desconfortável, dentro das dependências da Carina ‘Blangerie’, ali na Vasco. Mas a real mesmo eh que cada vez mais eu me sentia a vontade, praticamente encachacada-sem-cachaça, ao ouvir meu amigo Ungaretti contar...
....e como a cachaça me deixa mais ligada (pra não dizer psicótica) do que o expresso, de fato intimei:
vamos tomar cachaça?
e ele:
-mas eu tenho que dar aula amanha.
e eu:
-mas são so 19h! hehe
Muitos risos no caixa da Blangerie, onde o sr que nos atendia, ao invés de rir junto, estava talvez, desconfortável, com a nossa irreverência.
E o que e que EU posso fazer quanto aos desconfortos alheios, neh? Cada um com a sua cruz, por favor.
Andando lenta e saborosamente em direção ao cafeh cantante, riamos a luz do dia, Bom Fim afora....raro, grande e poéticamente sobre as mesmas calcadas do cootidiano, um degustar diferenciado, quase que bitolante, quase uma bolha. Não vi se quem passava riu pra mim, nem ao menos quem me viu rindo, ou sequer se riram de mim, pois eu estava rindo com o Ungaretti, e era isso, e ponto.
No cafeh? Bah! ...subversoes. E narrativas que eu acredito serem dignas apenas da memória de quem viu e viveu. De quem participou como coadjuvante, como ladra pouca pratica, ou mesmo como picareta (intuitivamente pré-reconhecido). Eu não sinto muito, eu não sinto absolutamente nada por quem saiu sem os dedos nessa tarde, ou..., nessa singela noite. Eu? Eu me divertia com o Ungaretti.Foda-se o sangue.
Na tentativo de não permitir que o corpo absorvesse a segunda? Garrafa de cachaça...
eis que avistamos uma pastelaria, na Fernandes mesmo, onde fomos nos ‘reestabelecer’.
Foi ali que na hora de eu contar... não resisti a emoção doida da perda do meu amigo Pinheiro, que se foi ingratamente, quando eu estava muito, mas muito longe do Brasil.
Contando enfaticamente as profecias do Pinus, acabei ateh mordendo a língua. E durante as fatihdicas lagrimas, Ungaretti me disse:
-sabe que tu tem uma intensidade muito árabe? (falou talvez não exatamente isso, mas algo perto disso e me fez rir)
Ao que eu já agressiva, (sou de fato arabe) peco respeito e permissao para continuar narrando a minha dor e inconcientemente passo a lidar com o fato de que não há dor, ma fase, desprazer ou qualquer desgosto, que não possa ser revertido para quem tem garras, para quem tem gana. Gana de levantar a bandeira do caráter limpo, de ser livre, gana de viver. Sobreviver.
Não. A vida nao e fácil, e quanto mais prazeirosa, piores são os momentos em que nos deparamos com o nada.
...e agora? Quer dizer... o que e que eu sou?
Wali Salomão
